Curva S: O que é?

CURVA S

O QUE É CURVA S?

CURVA S é uma ferramenta gerencial altamente utilizada na gestão de projetos, e tem como principal objetivo mostrar a comparação entre o planejado x realizada. O alto uso desta ferramenta nos gerenciamentos de projetos se dá pela facilidade de entendimento dos indicadores em que ali se apresenta.
De forma simples, a CURVA representa o % de um certo período, seja diário, semanal, quinzenal ou mensal, e representa também o % acumulado ao longo do tempo

Um grande e importante aspecto desta ferramenta é que ela representa o “volume” do desenvolvimento do projeto ao longo do tempo, ou seja, ela revela o “volume” do executado de um projeto em relação à linha de base ou de novas projeções.
Um fato relevante é que ela, DEFINITIVAMENTE, não é capaz de revelar o atraso ou adiantamento do cronograma de um projeto, sendo que a ferramenta capaz de revelar esse indicador é análise do “caminho crítico de obra”, em uma rede PERT-CPM, por exemplo.
O formato “S” da curva é devido ao comportamento padrão que acompanha os projetos.
A maioria dos projetos possuem o comportamento conforme se vê na imagem.

No início dos projetos, a distribuição de recursos ou nível de atividade é baixa, mas a medida que as etapas vão se encaminhando para o nível de “execução” o risco do projeto diminui, as incertezas caem e os recursos vão sendo mais aplicados.
A imagem quase parecida com o “S” da curva acumulada, então acontece devido ao comportamento da distribuição dos recursos. Pouco no início, muito no meio do projeto e a diminuição no final do mesmo. Basta analisar a distribuição nos períodos para entender melhor.
Embora a CURVA S não consiga representar o caminho crítico de um projeto, a mesma é muito utilizada pelos gestores pois em uma análise simples da mesma é possível identificar se o projeto está com o seu “volume” de execução abaixo, dentro ou acima do planejado.
Sem dúvida é uma das ferramentas mais importantes em nível de acompanhamento de projetos e que deve, de fato, compor um relatório gerencial.

COMO FAZER UM CURVA S?

A ferramenta pode representar vários indicadores de um projeto.
Ela pode representar, o volume de andamento de um projeto em “%”.
Pode representar também a distribuição de um recurso financeiro ao longo do tempo, assim como representar a distribuição de recursos de um projeto, seja em Hora-Homem (hh) seja o consumo, por exemplo, de um importante material de um projeto.
O importante dessa ferramenta é relacionar a distribuição desse material ou recurso com o “real” ao longo do período que o gestor definir como rotina de controle.
Para se elaborar uma CURVA S, não é mistério.
A CURVA S acima, é derivada da seguinte tabela.

A primeira que são as datas de controle.
Como mencionada, essa data é a rotina de controle estipulada pelos gestores responsáveis, que nesse caso apresentada acontece a cada uma semana de trabalho.
A segunda coluna representa o “% planejado no período” da linha de base do projeto.
A terceira coluna representa o “% planejado acumulado” da mesma linha de base.
A penúltima vai representar então o “% executado no período”.
A derradeira coluna é o “% executado acumulado”.
Na curva apresentada, é possível ver duas linhas:

São elas:
– % Resultado Global
– % Resultado Semanal.
Naturalmente esses indicadores são opções na representação da Curva, no entanto são importantes para facilitar a rápida interpretação do gestor, seja para entender o resultado da semana, que seria o “% executado naquela semana” menos o “% planejado no período da linha de base”.
A mesma lógica refere-se ao global.
“% acumulado executado” menos o “% executado acumulado” até a data de controle.
Ambos indicadores são relevantes nessa análise.
O Excel seria um excelente software para a elaboração dessa ferramenta.
O importante é somente configurar para a representação dos %’s do período seja feito no gráfico em barras e os %´s acumulados sejam no gráfico de linha.

GERENCIAMENTO DA CURVA

Para a boa aplicação e gerenciamento da Curva S alguns cuidados devem ser tomados.
O primeiro ponto é quanto a rotina de controle.
Assim como qualquer ferramenta de controle gerencial de um projeto, é primordial para os “controllers” a coleta de informação fidedigna realizada no período, assim como a manutenção dessa coleta sistematicamente durante o período do projeto.
Outro ponto importante é quanto a análise da linha de base.
Muitos projetos acabam sofrendo alterações, sendo as mais comuns:

  • Mudanças de Escopo;
  • Alterações de Custo;
  • Alterações de Prazo.

Geralmente as duas últimas alterações irão, consequentemente, alterar o comportamento da curva.
Faz-se necessário, então avaliar e entender o impacto dessa alteração no projeto a fim de definir com o grupo gestor a necessidade da colocação de uma nova linha de base.
Abaixo um exemplo com a alteração da linha base. Nota-se que o projeto ainda tem prazo de conclusão para a mesma data.

Outro complemento importante para o gerenciamento de um projeto se trata da colocação da uma “linha de projeção”.
Essa linha de projeção refere-se a uma nova linha de comportamento do projeto.
A essa pode ser tratada, as vezes como uma meta, ou como uma linha de recuperação quando do projeto se encontra atrasado.
Para que a projeção tenha um grau de maior de assertividade é necessário um estudo melhor, por exemplo, do cronograma do projeto de uma obra.
Os gestores responsáveis, deve então, coletar informações de projetos, suprimentos, entrada de fornecedores, dentre outros, para fazer novas simulações para a projeção de término.
Essa nova projeção irá gerar uma curva de projeção ou chamada de “tendência”.
Os projetos estão cada vez mais dinâmicos e se faz necessário então a colocação e acompanhamento do projeto por uma nova curva de tendência.
A representação gráfica dela seria a mesma das demais.

Nesse exemplo a linha de tendência está convergindo para o término do projeto com uma semana de antecedência.
Fato importante é que essa informação é retirada do cronograma!

CURVA S NA CONSTRUÇÃO

Na construção civil a CURVA S tem um papel importantíssimo na gestão, especialmente de obras. Ela é uma ferramenta clara e de fácil interpretação para engenheiros e arquitetos.
Como citado anteriormente, é corriqueiro os erros cometidos pelos gestores quando analisam uma Curva S.
Os gestores erroneamente afirmam que uma obra está adianta ou atrasada, em termos de cronograma, analisando somente a linha de base e o % executado acumulado.
É importante ressaltar que não necessariamente uma obra está atrasada analisando somente nos %s acumulados Planejado x Executado.
Isso porque a obra poderia estar com um % de atraso mas em setores da obra, cujo o atraso não irá afetar o CAMINHO CRÍTICO DO PROJETO.
Suponha um projeto de um prédio de 20 pavimentos com portaria e área de estacionamento.
A linha de base inicial, nesse exemplo, considerou a execução dessa portaria de 50m² logo no início do cronograma.
Por motivo de fluxo de caixa, a equipe resolveu não despender o recurso para a portaria, mas a execução da estrutura do prédio está acima do esperado.
A CURVA S nesse exemplo poderia representar um atraso “global” em relação à linha de base, porém, não necessariamente, o cronograma estaria atrasado.
Podendo até finalizar a obra com antecedência.
Por isso se faz necessário o uso de várias ferramentas para se gerenciar uma obra.
Esse caso poderia ser representado pela curva anterior.
Outro ponto importante sobre a CURVA S na construção civil, é sobre a ponderação das atividades no cronograma de uma para a elaboração da CURVA.
Muito se discute qual seria a melhor forma de ponderar um cronograma.
Todas as ponderações geram discussão, uma vez que atividades rápidas podem, por exemplo ter um peso muito grande e atividades lentas poderiam ter pouco pequeno.
A realidade é que nenhuma ponderação vai atender gregos e troianos.
Cabe o grupo envolvido pelo gerenciamento do projeto discutir sobre a melhor forma de ponderar.
Seja ponderação pelo custo, por hh ou pelos recursos.
Eu, Murilo Barbosa, especialista em planejamento e atuação em mais de 100 diferentes projetos da construção civil, afirmo que em 95% dos projetos é melhor forma de ponderar é pelo orçamento da obra.
Isso porque as informações para a ponderação são fáceis de serem coletadas, basta usar o orçamento de obra, segundo pois com o orçamento de obra  o gestor não esqueceria nenhuma atividade do escopo da obra para se colocar no cronograma e terceiro e importante ponto é que além de trazer o comportamento de avanço em % do projeto, essa curva também traria o comportamento próximo da distribuição do desembolso dessa obra ao longo do tempo.

Eng. Murilo Barbosa
MBA Gestão de Empresas
Fundador Projeto Engenheiro
Cofundador B&P Valor

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Murilo Barbosa

Murilo Barbosa

Atuou no Pentágono (USA), Metro SP Linha Amarela, Hidrelétrica RJ/MG (UHE Simplício), P. Central Hidrelétrica (Sítio Grande/BA) e em outras obras de infraestrutura no Brasil; Mais de 50 clientes recorrentes; Atuação plena em mais de 12 Projetos de empreendimentos imobiliários | • Engenheiro civil formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); • MBA em Gestão de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV); • Especialista em Estudos de Viabilidade Econômico Financeira pela Universidade de São Paulo (USP); • Sócio da BID Gerenciamento e Planejamento, criada em 2014 como Consultor de Planejamento e Controle de Obras.

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